BNDES tem menor desembolso semestral desde 2008

O balanço do desempenho do BNDES no primeiro semestre de 2016, divulgado pelo banco recentemente traz alguns dados preocupantes para atividade econômica brasileira. A queda de 42% dos desembolsos, totalizando pouco mais de R$ 40,1 bilhões entre janeiro e junho deste ano atingiu todos os grandes setores da economia, ainda que de forma diferenciada. Importante notar que o valor desembolsado é o menor desde 2008 para o primeiro semestre do ano, conforme ilustrado pelo gráfico abaixo.

GRÁFICO 1 – Evolução dos Desembolsos do BNDES no Primeiro Semestre, 2008 a 2016 (em R$ milhões)

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Do total de recursos concedidos em 2016, 45,6% (ou R$ 18,3 bilhões) foram via operações realizadas diretamente pelo banco – aquelas que envolvem Finem, Exim-direta, mercado de capitais, não reembolsáveis e microcrédito -, e o restante 54,4% (ou R$ 21,8 bilhões) pela via indireta, ou seja, por meio instituições financeiras credenciadas – da qual fazem parte o automático, Finame agrícola, Finame, Exim-indireta, Finame leasing e cartão BNDES. Dentre as modalidades, aquela que teve maior participação no total foi a linha BNDES Finem-Direta – que tem como condição investimentos para implantação, ampliação, recuperação e modernização de ativos fixos nos setores de indústria, comércio, prestação de serviços e agropecuária (de valor mínimo de R$ 20 milhões) -, com 36,5% pela via direta e 4,6% pela via indireta.

Os desembolsos da linha Finame destinados a produção e aquisição de máquinas, equipamentos e bens de informática e automação representaram 14,1% do total, enquanto as linhas Exim direta e indireta, voltadas à exportação de bens e serviços nacionais, tiveram participação de 12,1%. O gráfico abaixo traz a participação de cada linha específica no total desembolsado nesses seis primeiros meses do ano.

GRÁFICO 2 – Participação dos Desembolsos por Produto Janeiro a junho, 2016

 GRÁFICO 2 – Participação dos Desembolsos por Produto Janeiro a junho, 2016

 

Pela ótica dos desembolsos setoriais, aqueles destinados a infraestrutura (principal destino dos recursos do banco no ano), foram os mais afetados, com redução de 50% quando comparados ao mesmo período de 2015. O setor elétrico brasileiro, tradicionalmente financiado pelo banco pelas próprias características e maturidade dos empreendimentos também apresentou queda substancial no período recente (-56%).

Das muitas possibilidades por detrás desse declínio está a paralisia dos grandes grupos nacionais em decorrência tanto da retração econômica quanto de problemas com a justiça, assim como pela própria situação financeira do Grupo Eletrobrás, que inclusive já anunciou a privatização de algumas subsidiárias. Sabe-se de antemão que o BNDES deverá ter papel primordial no processo privatizante como anunciado pelo governo interino, caso o impeachment se efetive no Senado e, portanto, linhas de crédito destinadas a esse propósito específico devem ser criadas até o fim do ano.

Outro ponto que merece destaque nesse primeiro semestre é que a indústria de transformação concentra os recursos voltados à exportação. A indústria recebeu o maior incremento desse tipo de liberação, com 53% (R$ 1,3 bilhão) destinados a ela.

O que se verificou em 2016 foi que o banco praticamente zerou os desembolsos voltados à exportação de comércio e serviços, tendo queda de 95%, ficando na ordem de R$23 milhões. Nos últimos anos houve ampla liberação de recursos para serviços de construção, especialmente de engenharia. Com isso, hoje a indústria de transformação representa quase 98% do total, enquanto comércio e serviços tem 2%. Esta relação já foi, respectivamente, 61% e 39% em 2009, e no ano passado era 65% e 35% no mesmo período. O gráfico abaixo traz a evolução de janeiro a junho, desde 2008, dos desembolsos destinados à exportação entre comércio e serviços.

GRÁFICO 3 – Evolução dos Desembolsos para Exportação, por Setor – janeiro a junho, 2008 a 2016

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